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Epílogo

Toda a palavra é boa e má. E tanto uma, como a outra, pode tornar-se imperdoável, na altura certa.

Epílogo

Molduras de Pedra

24.02.24, Maria
  Fotografia minha, Serra de Montejunto, 2023   São anos. Não rosas. O que lapida os dias, parecendo mastigá-los. E passam deseducados. Sem abrir alas para passarmos. E nós vamos calcando. Contornando ou escalando pedras. Admirando as poucas rosas que o caminho tem. Buscando no perfume inalado um laivo de inspiração para singrar. Até que já não reste vontade, nem força. Para as escalar. São anos. Não rosas.  Com espinhos igualmente, mais ou menos aguçados.  Perfumes e (...)

Ai, amor!

14.02.24, Maria
  imagem: Freepik   Faz-me um poema. Da tua lavra brilhante. Personalidade assombrosa. Deixa-me expectante, gulosa. Excitada a tarde toda. Meu amante. Que não canso de idolatrar. Pois só se pode admirar. A pessoa amada. Ainda que disfarçada. Se mantenha a nossa cumplicidade e desejo. Atiro-te daqui um beijo. Confessamente modesta. E apaixonada.  

Bicho-de-conta

13.02.24, Maria
  Imagem: Freepik   Eu era uma névoa cerrada. Ao encontro de um ponto no meio do nada. Deslizante sobre a terra molhada. Sem alma, sem coração. Perdida na escuridão. Despojada.  Do que se chame ambição. Antiga. Do meu nascimento esquecida. Varando eras sem conta. Seguia qual bicho-de-conta. Por caminho desolado. Comigo só a meu lado. Num mundo alheio a mim. E tu? De todas as outras mulheres. Entre as que tiveras lá atrás. As que te rodeavam agora. Cruzarias vida afora. Resol (...)

Luz que me norteia

11.02.24, Maria
  Imagem: Unsplash     Deixa-me ver-te.  Tocar-te. Absorver-te. Decalcar-te em mim. Pontilhar na alma cada suspiro teu. Guardar para reproduzir-te a voz quente.  Lânguida. Apaixonada. Deixa-me até reservá-la alterada. Potente. Zangada. Para que nos dias de escuridão nos meus olhos. Cintiles. Sejas a candeia. A luz que me norteia.   Deixa-me querer-te. Ter-te. Aprisionar cada sentir, cada gesto. Emoldurar, contemplar. Reviver os nossos êxtases. Desce sobre o meu o teu corpo cansado. Até na pele ficar-me marcada, cada curva.

Quando a Maria passeia

10.02.24, Maria
Imagem: Unsplash   Quando a Maria passeia. Até o passeio delira. Ao vê-la sair de casa. Com um destino na mira. Sem acreditar na mulher  Reservada e caseira. Que se atreve a vadiar. Indo mais pelos seus dedos do que sair do lugar. Quando a Maria passeia. Até o passeio sorri. Se tivesse braços, aplaudia. Ao vê-la ir por aí. Quando a Maria passeia. Porque entende ir passear. Até os lugares se alegram. De a ver solta e feliz, quando decide voltar.    Quando a Maria passeia. N (...)

A bem-dizer. Nunca o saberás.

28.01.24, Maria
  imagem: Unsplash   Há uma diferença abismal entre ser mentiroso e não dizer a verdade. Pauto-me por não mentir, até por abominar mentirosos! Mas reservo-me dizê-la. Assim, aos sentires que professo, tantas vezes exacerbados, falta-lhe dentro o melhor. Aquilo que só eu sei e não revelo. É tão simples a convicção, quando alguém quer muito acreditar no impossível, tornando-o viável. A culpa não é minha se almas sedentas desejam transformar avidamente suposições em (...)

Uma enorme decepção

28.01.24, Maria
  imagem: Freepik   Podia ter-te amado. Deitado a cabeça no meu regaço. Afagado o teu cabelo crespo, frente ao mar. Adormecido. No meu colo protegido. Respirando harmoniosamente rendido, ouvir o teu respirar. Entrelaçados os teus dedos nos meus, corpo em desalinho. Num sono libertador de preocupações, tudo o que foste e procuraste até aqui. Ser a única, sermos para sempre.  À prova do som.  Do ciúme e congeminações alheias. À prova de tudo. O que existe. E o que (...)

Agora...

26.01.24, Maria
  imagem: Freepik   Já praticamente não abro o computador ou sinto falta de vir aqui. Quando passo, faço-o de fugida. Fico-me pelas notícias, lendo esporadicamente alguma coisa que se publica; mesmo, muito pouco. Partilho, às vezes, uma receita como quem as compila num caderno. E escrevo cada vez menos. Ou melhor. Desisto a meio pensando para comigo, para quê? E sinto-me bem. Quem diria?  Um gato comeu-me a língua! Tanto vontade, razão, como o sentido com que escrevia deixaram (...)

A verdadeira companhia

22.01.24, Maria
  Imagem: Freepik   Quero estar sozinha. Quero este canto onde canto as minhas letras tendo por fundo sonoro o canto dos pássaros que, por esses recantos e árvores, também ousam cantar. Gosto de estar sozinha. O que não quer dizer que recuse companhia. Mas... Deixem-se só se quiserem. Como vos deixo a liberdade de acompanhar este canto, onde pateticamente canto, sem pretender fazer-me ouvida. Onde não me ouvem. E será melhor não! Se vierem a este canto, para pôr-me nas letras (...)